Baila comigo

A GAROA adora arte. Adora cultura. Adora dança. E uma das novidades é que, exatamente por isso, a marca agora apóia o Projeto Noturno. Para entender melhor, veja abaixo a entrevista com a bailarina Julia Abs. E nnao deixe de ver as apresentações: às quintas, no Centro Cultural b_arco, às 23h!

Blog_ Conte um pouco sobre o Projeto Noturno.
Julia_ O Projeto Noturno nasceu de uma ideia do crítico de arte Rodrigo Naves, na ocasião em que ele foi assistir a um ensaio da nossa companhia no Centro Cultural b_arco.
Como o espaço do centro cultural é muito bom para este tipo de atividade (espetáculos de dança) e eles não tinham nenhuma atividade parecida com a do Projeto Noturno, decidimos colocar em prática a ideia principal do projeto que é: criar um espaço para trabalhos de artistas independentes de dança contemporânea.
Dessa forma o Centro Cultural b_arco será um centro de referência e difusão de trabalhos avançados em dança e os membros da Cia. Vitrola Quântica farão a coordenação artística do evento.
Por ter essa proposta experimental e o objetivo de criar a possibilidade de se ver dança toda semana, fora dos eixos centrais de teatros públicos ou privados, os artistas terão espaço para mostrar seus trabalhos de uma forma mais independente. Por outro lado, o público da cidade de São Paulo terá a oportunidade de assistir a trabalhos de dança contemporânea com maior freqüência do que geralmente as instituições culturais oferecem.
As obras inovadoras, na maioria das vezes, não têm lugar para serem mostradas justamente porque existem políticas institucionais enrijecidas.
Nossa ação busca abrir este espaço e contar com a colaboração dos artistas que virão a participar do projeto, com o desejo de que esta linguagem seja vista e que as pessoas se tornem mais íntimas daquilo que está sendo criado de novo na nossa cidade.

crédito: Daniel Augusto

Blog_ Como vai a cena da dança no Brasil?
Julia_ A dança contemporânea no Brasil vem ganhando força há algum tempo, devido ao surgimento de diversos movimentos ligados a esta linguagem artística, por exemplo os cursos superiores de dança em universidades em vários estados do país.
Em São Paulo temos a Anhembi Morumbi, com o seu curso superior de dança, e a PUC com o seu Comunicação das Artes do Corpo.
Existem em outros estados, como na Bahia, por exemplo, programas de pós-graduação como na UFBA (Universidade Federal da Bahia) que se concentra em estudar esta linguagem artística e torná-la cada vez mais autônoma.
Também as políticas públicas destinadas à cultura e, mais especificamente, os porgramas de bolsas, editais, e leis de incentivo à dança cresceram muito nos últimos 5 ou 6 anos.
O mais interessante é que existe um pensamento contemporâneo sendo construído sobre a dança no país inteiro, e não se trata da dança que o público em geral está habituado a acompanhar que geralmente se vincula com os modos de produção ligados ao balé clássico, mas são artistas e grupos de artistas que estão arriscando na experimentação de linguagem.
Acho que esse é um dos motivos pelo qual os artistas da dança acabam por se aproximar das artes plásticas, por esta ter um caminho de inovações mais percorrido aqui no Brasil.

Blog_ Qual a importância do figurino na dança?
Julia_ Na minha opinião o figurino é um elemento fundamental para a construção da visualidade do espetáculo, na relação do corpo com o espaço, dos volumes, dos movimentos dos diferentes tipos de tecido, na transformação da organização do movimento quando se usa algo como uma plataforma para dançar. Essa foi uma de nossas questões na pesquisa que culminou no nosso espetácul mais recente: DARKLAND.

crédito: André Fancio

Blog_ Quem são seus coreógrafos preferidos?
Julia_ Em primeiríssimo lugar: Pina Bausch. Criar dança depois dela ficou muito complicado. Antes dela teve o Nijinski que criou uma obra super importante ,”A Sagração da Primavera”, com os Balés Russos dirigido por Sergei Diaghilev. Gosto muito de balé clássico também, mas daí é outra coisa.
Nâo é o que eu faço hoje com a minha companhia. Agora gosto de alguns coreógrafos que influenciam o meu trabalho que são: Wim Vandekeybus, um grande coreógrafo belga que dirige um grupo chamado Última Vez, outro coreógrafo brasileiro do qual gostamos muito chama-se Alejandro Ahmed e a sua companhia de dança é o Cena 11, eles são de Florianópolis.
A Louise Lecavalier é uma bailarina meio punk-pop mas extremamente virtuosística nas suas coreografias que envolvem risco físico, velocidade, movimentos que envolvem muita força muscular, precisão, resistência.
Tem uma outra coreógrafa belga chamada Anne Terese De Keersmaeker que dirige o grupo Rosas que é incrível. Nossa são tantos… tem os americanos também Merce Cunninghan, Steve Paxton.
Vou citar um último coreógrafo bem jovem e brasileiro que se chama Bruno Beltrão e ele trabalha com a linguagem do hip hop unindo à dança contemporânea que é lindo demais. E outros artistas independentes como a Thelma Bonavita, Cristian Duarte, Juliana Morais, todos eles são da nova geração da dança independente de São Paulo.
Ah Zélia Monteiro… nossa ficaria aqui horas falando sobre coreógrafos dos quais eu gosto muito!

Blog_ Há alguma música especial que quando toca te deixa com vontade de dançar imediatamente?
Julia_ Xique-xique do Tom Zé com o Zé Miguel Wisnik [ pai da estilista da GAROA, diga-se de passagem :) ].

Blog_ Dançar é…
Julia_ Organizar movimentos do corpo no espaço e no tempo.

crédito: André Fancio



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